A Evolução do Trabalho Remoto

A contingência em home office pode ser o início da adequação da empresa para um admirável mundo novo no trabalho

Por Amelia CaetanoMarina Sell e André Brik

Muitas empresas adotaram o home office como plano de contingência para o Coronavírus. Com isso, esta modalidade de trabalho que estava sendo implementada de forma cautelosa, foi subitamente inserida na cultura das organizações. Essa antecipação do futuro gerou o início de uma valiosa mudança cultural em muitas empresas.

Mas o trabalho remoto é apenas o início desta mudança. Ainda temos muito para evoluir.

O gráfico abaixo demonstra as fases da implantação desta nova forma de trabalho. É importante entender em qual etapa cada empresa se encontra e quais são as ações necessárias para chegar onde se deseja.


As 5 Etapas do Trabalho Remoto


Nível 1 - Inércia

Neste nível, a empresa ainda não tem uma política de trabalho remoto e nem mesmo visualiza a sua implementação. A cultura digital ainda não é uma realidade e as equipes são pouco encorajadas pelas políticas internas a iniciar um processo de transformação. A empresa já encontra sinais de dificuldade na atração e retenção de talentos, principalmente equipes de tecnologia e jovens profissionais.


Nível 2 – Improvisação

Neste momento, a empresa já compreendeu a importância do trabalho remoto e, como estratégia, passa a fornecer a infraestrutura tecnológica necessária para que seus times trabalhem remotamente.

Porém, não realiza as transformações cultural e organizacional, fundamentais para adequar os processos existentes ao novo formato.

Sem essa capacitação, a empresa continuará realizando seus processos da mesma forma, apenas reproduzindo práticas improdutivas no ambiente online. Permanecem as reuniões desnecessárias, interrupções constantes e comunicação não assíncrona. E a organização perde ao não se beneficiar de todo o potencial que este formato de trabalho pode oferecer.

É seguro afirmar que a grande maioria das empresas que adota o trabalho remoto no Brasil ainda se encontra neste nível.


Nível 3 – Transformação Cultural

Ao passar para este nível, a organização inicia um processo de mudança cultural para preparar seus times para a nova forma de trabalho.

Nesta etapa, a empresa vai definir e formalizar o uso das ferramentas de comunicação e gestão remotas, permitindo uma maior integração entre as equipes.

Vai desenvolver uma nova forma de gestão, onde o líder se torna mais próximo e as equipes ganham autonomia.

E, finalmente, vai implantar o foco em resultado e estabelecer um ambiente de confiança, gerando aumento na produtividade, na melhoria do clima organizacional e na qualidade das entregas.


"Na etapa mais elevada, a organização vai se beneficiar das vantagens deste admirável mundo novo: equipes distribuídas, colaboradores em diferentes fusos horários atuando sem interrupção, ecossistema de trabalho mais rico, empresa à prova de imprevistos, pessoas mais motivadas e, por consequência, mais prosperidade para todos."


Nível 4 – Transformação Organizacional

Uma vez que a empresa já possua as ferramentas e habilidades para a prática do trabalho flexível, este é o momento de implementar novas práticas de gestão e processos. Com isso, os benefícios do trabalho flexível serão viabilizados e potencializados.

comunicação assíncrona aparece para favorecer a flexibilidade e permitir um fluxo de trabalho mais produtivo. A liderança situacional traz a evolução dos processos de gestão à distância. E as equipes auto gerenciadas passam a assumir um papel de protagonismo dentro dos processos de trabalho.

Aqui, não se trata apenas de uma mudança cultural, mas de uma transformação na forma de trabalhar da organização, revisitando políticas e práticas de governança corporativa.


Nível 5 – Consolidação

Na etapa mais elevada, a organização consolida a nova forma de trabalho, tornando-se totalmente portátil e flexível. Trabalha-se de qualquer lugar e a qualquer tempo. O foco e a finalidade estão nas entregas.

Aqui, as pessoas podem conciliar vida profissional e pessoal de forma fluída e altamente produtiva. E a empresa sedimenta todos os meios necessários para cumprir o seu propósito.

Nesta etapa, a organização atinge um engajamento pleno e uma flexibilidade absoluta, adquirindo premissas indispensáveis para se adaptar ao ritmo constante das mudanças que ocorrem em um cenário cada vez mais dinâmico.

E pode também se beneficiar das vantagens deste admirável mundo novo, contando com equipes distribuídas, colaboradores em diferentes fusos horários atuando sem interrupção, ecossistema de trabalho mais rico, companhia à prova de imprevistos, pessoas mais motivadas e, por consequência, mais prosperidade para todos.


Conclusão

Com a implantação do trabalho remoto como forma de isolamento social, os primeiros movimentos já foram dados em direção a uma maior adequação ao novo cenário. Este é um ótimo momento para que as organizações avaliem internamente quais serão os próximos passos e estejam preparadas para um futuro que já começou.

(Elaborado à partir do artigo The Five Levels of Remote Work de Matt Mullenweg, e dos livros Reinventado as Organizações de Frederic Laloux e Holacracia, de Brian J. Robertson)
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